As imagens da densa comada de peixes mortos boiando nas águas do Açude Velho, principal “Cartão Postal” de Campina Grande, nesse fim de semana, mais pareciam cenas de séculos de atraso. Esse recorrente desastre ecológico ganhou novos e mais graves contornos agora em 2026, visto que, até ao final da manhã desta segunda-feira (12), ao menos cinco toneladas de pescados pobres haviam sido retiradas do reservatório, em meio a uma forte e insuportável fedentina, altamente agressiva aos olfatos de transeuntes, moradores do entorno e trabalhadores diretamente envolvidos na operação. O caso já ganhou repercussão na mídia nacional.
A Prefeitura vem adotando medidas paliativas na tentativa de amenizar a situação e até explica as dificuldades para encontrar uma solução definitiva, face à complexidade do problema. Contudo, o caso requer urgente reflexão de todos os níveis de poderes públicos e da sociedade, de modo geral, na busca de uma urgente e duradoura saída para essa tragédia ambiental anunciada que impacta negativamente a paisagem urbana e compromete a própria memória cultural de Campina Grande.
A hora não é de culpar essa ou aquela gestão. O descaso vem de longe e a responsabilidade é de todos. A situação exige esforço e união dos governos federal, estadual e municipal, senadores, deputados, vereadores, academias e segmentos da sociedade civil para, imbuídos na “vontade política de fazer”, resolver o problema, de modo a reverter o clima de indignação coletiva motivado por um evento que já não é mais admissível nos dias atuais.

REUNIÃO – Diante da gravidade da situação, várias secretarias municipais se reuniram nesta segunda-feira para discutir medidas emergenciais diante da mudança na coloração da água e da mortandade de peixes no Açude Velho. As primeiras ações voltaram-se à oxigenação da água e limpeza da lâmina superficial do reservatório.
“Nossa prioridade foi retirar os peixes, fazer a limpeza da área e iniciar a aeração da água, promovendo a movimentação necessária para melhorar a sua oxigenação. Esse trabalho continua sendo intensificado”, afirmou o secretário Dorgival Vilar, de Serviços Urbanos e Meio Ambiente.
Segundo ele, o fenômeno que ocorre no Açude Velho é relacionado ao processo de eutrofização, caracterizado pelo excesso de nutrientes como nitrogênio e fósforo na água. Há, por outro lado, a informação segundo a qual uma pesada descarga de esgoto clandestino proveniente do Riacho do Canal das Piabas teria sido lançada no reservatório, agravando ainda mais a situação.
Para Dorgival Vilar, o enfrentamento do problema exige integração entre ciência, gestão pública e responsabilidade fiscal. “Estamos lidando com uma situação complexa, que envolve fatores ambientais, climáticos e urbanos. Por isso, além das ações emergenciais, buscamos soluções duradouras, baseadas em estudos técnicos e no planejamento responsável da cidade”, concluiu.
Já o secretário de Obras, Joab Machado, disse que estudos técnicos estão sendo feitos em parceria com a UFCG sobre a revitalização do açude e que recursos para esta finalidade já estariam garantidos.
A Secretaria de Planejamento, por sua vez, que desenvolve há mais de um ano, junto com a UFCG, estudos para viabilizar a dragagem do reservatório, uma das etapas previstas para melhorar a qualidade da água e reduzir o acúmulo de sedimentos.









