Resolução aprovada pelo Diretório Nacional do PT e divulgada neste sábado (7) reforça a defesa de mudanças estruturais na política social e trabalhista do país, com destaque para o fim da escala 6×1 sem redução de salários e para o avanço da proposta de tarifa zero no transporte público.
Sobre a jornada de trabalho, o documento afirma que o partido irá implementar o fim da escala 6×1, sem redução de salários, “porque quem sempre defendeu o direito ao trabalho sabe que defender o direito ao descanso é parte da mesma luta por dignidade, saúde mental, convivência familiar e qualidade de vida”. A proposta busca responder a uma demanda histórica de movimentos sindicais e de entidades ligadas à saúde do trabalhador.
Em relação ao transporte público, a resolução aponta para a ampliação da política de tarifa zero, sob o argumento de que a mobilidade é um direito fundamental. Segundo o texto, haverá avanço na implementação da medida, “porque ir e vir é um direito do trabalhador”. O documento sustenta ainda que “essa política será mais uma medida que irá ampliar a renda disponível do trabalhador, e permitir que muitos trabalhadores que se deslocam a pé possam ter transporte gratuito, aumentando também o tempo disponível. Tempo e renda são recursos que garantem a dignidade”.
A resolução também dedica espaço à política internacional e critica o que chama de tentativas de interferência externa em países da América Latina. Sem citar diretamente os Estados Unidos, o texto afirma: “Não aceitamos qualquer tentativa de interferência externa sobre o direito à autodeterminação dos povos. Condenamos os ataques à Venezuela e as ameaças à Cuba. O PT, que lutou contra a ditadura, vê com preocupação essas investidas que remontam aos sombrios tempos de interferência na América Latina”.
No campo diplomático, o partido sustenta que o Brasil retomou protagonismo global nos últimos anos e reforça a defesa do multilateralismo. A resolução afirma que o país “voltou ao centro do mundo com altivez, retomando o protagonismo internacional, liderando debates ambientais e reafirmando sua soberania”. O texto atribui esse movimento à atuação do presidente Lula e à reconstrução de alianças estratégicas em diferentes regiões do mundo.
Segundo o documento, “sob a liderança do presidente Lula, retomamos uma política externa ativa e altiva, baseada no diálogo, na cooperação entre os povos e na defesa da paz”. A resolução acrescenta que o Brasil fortaleceu o Brics, recompôs relações com países da América Latina, da África, da Europa e da Ásia e voltou a ser ouvido em fóruns internacionais, com foco em desenvolvimento sustentável, democracia e combate às desigualdades.
Outro eixo central do texto é o ambiente digital. O PT afirma que há uma “nova arena de disputa política marcada pelo poder das big techs e pela circulação acelerada de informações e desinformações”. Diante disso, o partido defende a regulação das plataformas antes das próximas eleições.
A resolução argumenta que “o espaço digital não pode ser território de manipulação nem instrumento de ataque às instituições” e sustenta a necessidade de um esforço nacional contra fake news e contra o uso ilegal da inteligência artificial, com o objetivo de garantir eleições “verdadeiramente democráticas e transparentes”.
No conjunto, o documento busca consolidar uma agenda que combina propostas sociais ambiciosas, preocupação com a sustentabilidade fiscal e um discurso de fortalecimento institucional, sinalizando as prioridades políticas do partido para o próximo período.
Fonte: 247









