Morreu nas primeiras horas desta quarta-feira (11), em Campina Grande, o médico e ex-Vereador Márcio Tarradt Rocha, 68, de causas naturais. A informação foi dada pelos seus próprios familiares, por meio das redes sociais.
Marcio Rocha se tornou conhecido nos meios comunitários e políticos da Paraíba pelas suas lutas por justiça social, saúde pública e pelo cuidado permanente com as pessoas, especialmente aquelas que viviam a situação de vulnerabilidade. Ele exerceu a vereança em Campina Grande de 1983 a 1997, cuja atuação foi considerada por muitos como um dos mais destacados parlamentares da história política da “Casa de Félix Araújo”
CARREIRA POLÍTICA – De ascendência palestina (seu avô materno “José Tarradt” foi um refugiado da ocupação inglesa na cidade de Nazaré, durante a primeira guerra mundial, tendo aportado no Recife e virado mascate pelo interior nordestino antes de chegar a Campina Grande, onde fixou residência), Marcio Rocha ERA formado em medicina pela UFPB, tendo iniciado a carreira política ainda na juventude, como presidente do Setor Jovem do PMDB LOCAL, além de ter presidido o Diretório Acadêmico de Medicina em 1979, ano da federalização da Faculdade de Medicina, pela qual se destacou como um dos responsáveis.
Entre 1980 e 1981, coordenou o trabalho comunitário “Conscientização popular para a conquista da saúde”, realizado por estudantes de medicina em vários bairros e distritos do município.
Em 1982, aos 24 anos, disputou sua primeira eleição, candidatando-se a vereador pelo PMDB. Elegeu-se com 1.576 votos. Seis anos depois, em 1988, disputou a reeleição, pelo antigo PCB, agremiação onde militava clandestinamente desde o movimento estudantil. Com 1.587 sufrágios (11 a mais que em 1982), reelegeu-se para mais 4 anos de mandato – foi o primeiro vereador eleito pelo PCB estadual após a redemocratização do Brasil.
Em 1990, Marcio disputou sua primeira e única eleição para deputado estadual, desta vez pelo PPS. Recebeu 2.306 votos, insuficientes, porém, para se eleger. Curiosamente, foi sua maior votação em 5 eleições disputadas na carreira.
Em 1992, pelo recém-criado PPS, Marcio Rocha disputou novamente a reeleição, sendo bem-sucedido: angariou 1.041 votos, garantindo o terceiro mandato. Deixou o PPS em 1996 para filiar-se ao PSB. Apoiando o ex-prefeito Enivaldo Ribeiro (PPB), concorreu novamente à reeleição, obtendo 1.229 votos. Desta vez, Marcio não conseguiu o quarto mandato seguido de vereador, encerrando sua carreira política assim que deixou a Câmara de Vereadores, em janeiro de 1997.
Durante os mandatos que exerceu, Marcio Rocha se notabilizou pela dura oposição ao Grupo Cunha Lima, principalmente ao ex-prefeito Cássio Cunha Lima, que governou a cidade de Campina Grande por 3 vezes, e foi alvo de fortes denúncias do ex-parlamentar comunista, tais como a que apontava indícios de superfaturamento nas obras do Canal do Prado, conhecido como “Canal do Ouro”, entre outras.
Para muitos analistas políticos locais e de todo o Estado da Paraíba, Marcio Rocha foi o vereador mais atuante da história da “Casa de Félix Araújo”, sendo conhecido por seu temperamento forte, postura crítica e pelo destemor com que se posicionava no parlamento mirim campinense. Marcio chegou a ser homenageado pelo Poeta Zé Laurentino, um dos maiores cordelistas do Nordeste, que escreveu “Marcio Rocha em Cordel”[1]
Desde que deixou a política, o ex-vereador exerceria funções administrativas nas gestões do ex-governador José Maranhão: inicialmente, trabalhou na Superintendência do 3º Núcleo Regional de Saúde da Secretaria de Saúde da Paraíba, tendo sido o 1º Diretor Geral do Hospital Regional Dom Luiz Gonzaga, maior hospital de Campina Grande, e seu último trabalho na esfera pública foi como Diretor de Atenção à Saúde da Secretaria de Saúde de Campina Grande (2004 a 2012), tendo assumido por alguns meses a titularidade da Secretaria, na administração do ex-prefeito Veneziano Vital do Rêgo.
De 2012 a 2016, Marcio Rocha atuou no Programa Mais Médicos, no Município de Alagoa Nova e, em paralelo, trabalhou no Programa Saúde da Família, em Campina Grande, onde era servidor público de carreira.
(Dados exraídos da internet)









