Seminário discute políticas de proteção e direitos dos idosos na Paraíba

Construir estratégias para garantir políticas públicas capazes de promover o bem-estar, a dignidade e a saúde da população idosa, que cresceu significativamente nos últimos anos no Brasil e na Paraíba. Promover uma mudança cultural que conceba a velhice não como um problema, mas como “uma virtude a ser compartilhada” por todos: família, comunidade, poder público, sociedade. Esses foram os objetivos do Seminário “Paraíba amiga da pessoa idosa”, promovido pelo Governo do Estado, com o apoio do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e do Tribunal de Contas (TCE-PB), na manhã desta sexta-feira (24), em João Pessoa. 

O evento reuniu gestores públicos, profissionais, representantes de instituições, conselhos e organizações da sociedade civil e promoveu um espaço de diálogo, de troca de experiências e construção coletiva de estratégias voltadas ao fortalecimento das políticas públicas destinadas à pessoa idosa, com foco no envelhecimento saudável, na autonomia, na qualidade de vida e no fortalecimento das redes de cuidado nos 223 municípios paraibanos.

“É com muita satisfação que o Ministério Público acolhe este evento tão importante para todos os órgãos e cidadãos paraibanos. O cuidado com a pessoa idosa é uma prioridade do Ministério Público porque deve ser prioridade para a sociedade! Mais do que dar dignidade a essas pessoas, isso demonstra o respeito que todos devem ter com esse público”, destacou o procurador-geral der Justiça Leonardo Quintans, na condição de anfitrião do seminário.

PALESTRA – O seminário contou a palestra do médico geriatra e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Edgar Nunes de Moraes. Ele fez um diálogo interinstitucional e destacou a necessidade de se construir estratégias e políticas públicas que assegurem a promoção, a proteção e a garantia dos direitos da pessoa idosa no estado da Paraíba e no Brasil.

“A ideia é trazer para o povo paraibano que o envelhecimento é uma realidade, a maior conquista da humanidade, só que ela traz alguns desafios, principalmente para a gestão pública. Hoje, a população que mais cresce é a população idosa. E é uma novidade, porque o Brasil não está preparado para isso. É dever do Estado cuidar das pessoas em todos os ciclos de vida. E na velhice, o Estado se torna um protagonista maior, porque, no Brasil, o envelhecimento tem uma característica muito interessante: as pessoas estão envelhecendo, estão vivendo mais e, consequentemente têm mais risco de terem problemas de saúde, de se tornarem dependentes e precisarem de um cuidado terceirizado. O nome de quem faz esse cuidado é a família. Só que as famílias estão cada vez menores, estão cada vez tendo menos capacidade de prover um cuidado adequado para essas pessoas idosas, que a gente chama de idosos frágeis. E aí se torna fundamental que o Estado assuma esse compromisso de implementar políticas públicas de saúde e assistência social e o Ministério Público é fundamental para fomentar essas políticas e fiscalizá-las para proteger o cidadão”, argumentou. 

Moraes apresentou aos gestores o que pode e o que deve ser feito em relação ao assunto, defendendo a necessidade de mudança de olhar sobre a velhice. Uma das estratégias propostas é a criação de um Plano Estadual de Prevenção à Demência, sendo uma das medidas preventivas o investimento em educação e na alfabetização. “É preciso, antes de tudo, mudar a visão sobre o envelhecimento. O idoso não é um adulto de cabelo branco. É preciso separar os idosos do ponto de vista da sua saúde, sabendo as diferenças entre eles. E a partir daí, criar equipamentos, políticas, ações e intervenções para cada grupo de idosos (idosos mais robustos, idosos mais frágeis etc)”, defendeu.

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