Empresas investigadas por envolvimento com facções têm atividades suspensas na PB

Duas empresas investigadas por envolvimento em um suposto esquema de infiltração de facções criminosas na Prefeitura de Cabedelo e seus controladores  tiveram as atividades econômicas suspensas pela Justiça da Paraíba. A decisão é do desembargador Ricardo Vital de Almeida, que atendeu ao pedido do Ministério Público Estadual e da Polícia Federal. 
Com isso, as empresas e dois homens apontados como seus controladores ficam impedidos de participar, direta ou indiretamente, de procedimentos licitatórios, inclusive dispensas e inexigibilidades, bem como de qualquer tipo de contratação, ajuste, convênio, acordo ou ato jurídico com ou pelo Poder Público do Município de Cabedelo, abrangendo todos os órgãos das esferas executiva e legislativa municipal. Todos os contratos em vigor envolvendo os citados também devem ser suspensos, assim como qualquer pagamento com recursos públicos do Município a esses destinatários. 
Os Poderes Executivo e Legislativo de Cabedelo têm prazo de 30 dias para substituir a mão de obra terceirizada vinculada às referidas empresas, de modo que o interesse público seja protegido e o atendimento às necessidades coletivas não sofra interrupção na cidade. 

Entenda o caso

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do MPPB, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Cítrico em 14 de abril de 2026, para cumprir medidas cautelares expedidas no âmbito de investigação que apura a suposta atuação de organização criminosa voltada à fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de facção criminosa com atuação no município de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa. 

O esquema investigado teria se valido da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas à facção criminosa “Tropa do Amigão”, braço do “Comando Vermelho”, com infiltração de faccionados em estruturas da Prefeitura de Cabedelo, circulação de valores de origem pública em favor do crime organizado e utilização de contratos administrativos como instrumento de manutenção de poder, influência territorial e blindagem institucional. 
A investigação revelou um consórcio entre agentes políticos da alta cúpula do município, empresários e integrantes de organização criminosa, voltado à perpetuação de contratos milionários e à distribuição de vantagens ilícitas, com valores superiores a R$ 250 milhões. 
Entre os crimes investigados estão frustração do caráter competitivo de licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa. 

Fonte: MPPB

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