“Empreendedorismo, Juventude e Autonomia Feminina” foi o tema abordado pelo Projeto “Encontro de Mulheres do Agro”, durante a 27ª Festa do Bode Rei, que ocorre até este domingo (7), no município de Cabaceiras. O projeto é uma realização da Secretaria Estadual do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB).
O tema, abordado nessa sexta-feira (5), no auditório da tradicional exposição, contou com dois momentos. O primeiro tratou dos objetivos do projeto, as lutas históricas e a importância de honrar as mulheres do passado que lutaram pelos direitos femininos. Já no segundo instante foram apresentadas experiências empreendedoras como a criação do sabão do leite de cabra e da palma.
O “Encontro de Mulheres do Agro” em Cabaceiras começou com um pocket show do “caricantor” Sócrates Gonçalves. Já a professora e poetisa Juliana Soares apresentou, em fala e também em versos, “Todas nós já penamos, lutamos… Gostaria de honrar todas as mulheres que vieram antes de nós, que lutaram, as muitas que morreram para termos avançado até aqui”, destacou.
CRIATIVIDADE – A programação prosseguiu com várias mulheres mostrando exemplos de empreendedorismo, criatividade, talento e coragem, como a criação de sabonetes feitos a partir do leite de cabra e da palma. As professoras Ana Amélia Macedo e Alessandra Meira, que atuam na coordenação do projeto da Escola Técnica Estadual Antônio Juarez Farias, de Cabaceiras, explicaram a proposta feita com uma turma formada por cerca de 30 alunos do 2º ano do Ensino Médio.
A professora Ana Amélia contou que a ideia surgiu após ela tomar o tradicional “Banho de Leite de Cabra”, uma comemoração típica dos eventos da caprinocultura. Ela disse que percebeu que a brincadeira deixou os seus cabelos mais saudáveis e pensou se era possível ter um sabonete feito de leite de cabra. “Foi após esse banho de leite de cabra que eu comecei a pesquisar, buscar informações, mobilizar a turma para por em prática o projeto, já que é uma Escola Técnica”, rememorou Ana Amélia Macedo.
Procurando por a ideia em prática, ela acabou encontrando a professora com formação farmacêutica Alesandra Meira. Foi então que elas avançaram com o projeto da produção do sabonete artesanal feito de leite de cabra e, também, a partir do óleo de palma, planta muito comum na região do Cariri paraibano. Os alunos se envolveram e com a realização de testes se chegou à fórmula tradicional, o “Be Clean” e mais duas versões para aproveitar todo o material e evitar o desperdício, uma delas esfoliante.
“Uma coisa que me marcou muito foi quando fomos mostrar para os alunos que é possível empreender. Cabaceiras é uma terra de produtores, de ideias. Foi muito emocionante”, frisou Alessandra Meira. Ela acrescentou: “Transformar o leite de cabra em um novo produto referência em biotecnologia foi muito importante”.
O dinheiro da comercialização do sabonete é revertido para a produção e, também, para os estudantes empreendedores visando a viabilização de uma viagem dos estudantes para conhecerem o mar. “Muitos nunca viram o mar e tem esse sonho. Pode parecer simples, mas muitos não têm condições e o projeto tem esse objetivo”, destacou Alessandra.
Já a artesã Claudiene aprendeu com o pai a arte de manipular o couro. Porém, um dia ele decidiu parar a produção e se desfazer dos equipamentos. Os irmãos não quiseram seguir a tradição familiar, mas ela pediu ao pai as máquinas. “Era eu, um sonho, seis peles e as máquinas”, apontou, acrescentando: “Deixei de fazer roupa de vaqueiros e comecei a mexer como uma mulher empreendedora”. Foi aí que ela partiu para fazer peças menores, com desenho próprio e criou toda uma coleção de objetos de beleza como colares, pulseiras e outros itens de ornamentação.
Outro exemplo de empreendedorismo e ocupação de espaços é a senhora Telma Soares. Ela quebrou resistências, deixou o cultivo da agricultura por determinação médica e faz história. Ela é criadora de caprinos e não se inibe de ir para as baias e participar das exposições, um espaço majoritariamente ainda masculino.
Telma Soares lembrou que o desafio de criar caprinos foi lançado pelo marido após um contato com outros criadores que forneciam leite para a cooperativa Capribov. “Eu soube como era a criação e me perguntou. Eu topei na hora. Isso faz 24 anos”, comentou. Para ela, a criação de animais é mais que um trabalho. “Eu vejo o amor, vejo a necessidade de ensinar. Aquilo que eu aprendi eu passo para os outros mais jovens”, comentou.
A criadora acrescentou: “O sucesso é aquilo que você faz para melhorar a vida das outras pessoas”. Sobre a saúde, ela contou que a lida com os animais é mais flexível que a lavoura, com horários que exigem um esforço menor e, portanto, não atrapalham a sua saúde.
Ao término, todas as mulheres que apresentaram suas histórias foram homenageadas ao receber um troféu do Projeto “Encontro de Mulheres do Agro” em reconhecimento pelas suas lutas e conquistas.
Fonte: Secom









